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Existia uma prática muito comum anos atrás que hoje é incomum e talvez, sem sentido.

Todos costumávamos escrever nossas ideias, projetos e pesquisas em rascunhos, de forma descontraída para depois “passar a limpo” de forma organizada e contextualizada.

Era uma prática destinada ao repensar, ao reavaliar aquilo que tínhamos escrito, dada a responsabilidade assumida.

Hoje, isso parece estranho porque tem uma conotação de retrabalho. Por que não fazer o melhor já da primeira vez e perder tempo refazendo?

Entretanto, “passar a limpo” era uma prática que permeava todas as instâncias da nossa vida. Era um tempo especial de reavaliação que concedíamos a nós mesmos nas várias esferas de atuação.

Refletir sobre o que se quer alcançar nas diferentes etapas da vida, o que consideramos com maior importância, quais são os caminhos mais atrativos aos próprios anseios, pode determinar à nossa capacidade de auto realização.

As decisões obrigatórias de cada dia parecem cada vez mais difíceis. Antes, era natural um tempo para cada escolha. Hoje, o desafio e o tempo se fundem em momentos de contínua cobrança, em uma sensação de dívida cumulativa.

É preciso estar atento para as armadilhas de frustração preparadas nas estradas que seguimos, fantasiadas de oportunidades que, inadvertidamente, podemos abraçar sem condição de resposta, devido à já comprometida agenda de atividades.

A consciência precisa estar desperta para lembrar que somos humanos e que necessitamos de uma rotina diária saudável, de sono, alimentação, movimentos e relacionamentos, porque sem isso nada fará sentido.

Querer abraçar o mundo, como se diz no ditame popular, é incoerente, pois trata de navegar nos mares da frustração. É preciso mirar no farol guia como foco energizante que leva cada qual ao porto de sua escolha.

Erramos sim, muitas e muitas vezes, quando não seguimos os anseios próprios do que sentimos como importante para nós, e seguimos guiados pelos apelos de outros.

Certamente, muitos problemas não existiriam se nossa atenção e potencial energético fosse direcionado àquilo que realmente acreditamos ser a nossa missão nesta vida.

Que tal passar a limpo as realizações e checar se elas realmente podem ser consideradas como realizações pela consciência? Vale fazer uma lista do que alcançamos nos últimos três anos, com notas de 1 a 5, para avaliar o que sentimos em relação a cada uma delas. Simples assim…

A felicidade reside no encontro de práticas e anseios, no emergir da cor e da ação, expressão do coração, a vida impressa em nossas ações.

Vamos passar a limpo???

Sou professora, consultora, escritora, doutora em Administração de Negócios, graduada em Administração de Empresas, com Especialização e Mestrado em Gestão de Pessoas. Tenho como meu maior compromisso profissional, a educação corporativa. Trabalho construindo programas de capacitação de pessoas para empresas e instituições de ensino. Os aeroportos e hotéis são meus escritórios de apoio... Meu lema é “Amar o Saber para Saber Amar”.