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Vocês que nos acompanham sabem que nosso objetivo com o blog não é levantar bandeiras no que tange ao gênero feminino. Nosso propósito é apresentar questões corporativas pelo olhar de duas mulheres que atuam no mundo acadêmico e executivo.

No entanto, em vários momentos, foi preciso, sim, discutir com vocês questões como, por exemplo, se a função executiva possuía gênero, a sororidade, o nível de escolaridade feminino e, logicamente, a constatação da ausência de mulheres em postos de gestão nas empresas.

Chegamos em 2018 e essa discussão parece se ampliar. Questões/denúncias sobre o assédio foram temas dos principais noticiários.  Vocês repararam no movimento que ocorreu no Carnaval? Mulheres de todas as idades, em todo o país, fizeram questão de estampar em seus corpos e fantasias o lema “Não é Não”.

E nas organizações? Algum avanço? Sim e não.

Quando falo em organizações refiro-me não apenas às empresas, mas ao meio acadêmico, religioso, militar.

Há alguns dias tivemos a grata surpresa de vermos, pela primeira vez, mulheres ingressando no quadro da Academia Militar de Agulhas Negras (AMAN). Dos 413 novos integrantes de 2018, 34 são do sexo feminino, ou seja, pela primeira vez na história do exército brasileiro as mulheres poderão desenvolver uma carreira militar e chegar à patente de general.

Gostei de ler a entrevista concedida por um Oficial da AMAN que explicou as adaptações realizadas nas instalações e nas vestimentas. Ele ressaltou que o tratamento não seria diferenciado (nada seria mais fácil para elas), mas o mais importante foi o reconhecimento de que competências consideradas mais expressivas nas mulheres como a “comunicabilidade” e a “capacidade de observar detalhes” contribuiriam muito na academia.

Por outro lado, tivemos uma matéria expressiva, publicada no Jornal O GLOBO no final de janeiro, apresentando o quanto a mulher ainda é preterida nos meios acadêmicos, ainda que detendo o mesmo (as vezes superior) grau de escolaridade.

Há 27 anos as mulheres são maioria nos cursos universitários e representam 49% dos estudantes com bolsas oferecidas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), no entanto, a medida que a carreira avança vão sendo eliminadas do “mundo acadêmico”. É o efeito chamado “tesoura”.

Alguns números apresentados na matéria nos chamam a atenção: em seus 66 anos de existência o CNPq nunca teve uma presidente mulher; nas Universidades Federais apenas 28,35% dos reitores são do sexo feminino; na Academia Brasileira de Medicina apesar das mulheres serem maioria entre os formandos, apenas 4,3% dos membros são mulheres.

Em algumas áreas o problema parece ampliar como, por exemplo, na matemática. Apenas para exemplificar, no Instituto de Matemática Pura e Aplicada (IMPA) existe uma mulher entre 50 professores do quadro permanente. Além da segregação por área, as diferenças tornam-se mais gritantes conforme a carreira avança. Mas curiosamente pesquisas realizadas pelo próprio CNPq apontam que as mulheres possuem o dobro de publicações acadêmicas dos homens.

São muitas as causas apontadas para que as mulheres não avancem em carreiras: a falta de estímulo na família, a não divisão dos trabalhos com os filhos e a casa e, logicamente, o machismo existente dentro de algumas instituições.

Ao ler a matéria lembrei-me do meu caso pessoal. Sempre fui muito estimulada a estudar pelos meus pais e, mais tarde, pelo meu marido. Mas lembro-me que quando decidi fazer meu Doutoramento, minha mãe me questionou: “para que estudar mais, minha filha? Você já estudou muito”. “Para uma mulher, Mestrado já não está bom”?  Precisei explicar a ela que, não, não estava bom e ela entendeu, mas quantas mulheres nessa hora paralisariam?

2018 chegou e todos nós, sem exceção, precisamos estar atentos em como acelerar esta igualdade de gêneros nas organizações. As vezes um simples comentário pode servir de inspiração ou ser a causa para a paralização. Vamos inspirar?

Sou Mestre e Doutora em Administração de Empresas, ministro cursos de MBA, em todo o território nacional, peViviane Narduccila FGV e ESPM, tenho forte experiência executiva no setor público e realizo consultorias e programas de capacitação em Gestão Estratégica de Pessoas em organizações públicas e privadas. Tudo isso só é possível porque, acima de tudo, adoro conhecer pessoas e trocar experiências. Além disso, adoro moda, decoração, gastronomia, conhecer novos lugares….
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